Histórias inventadas sobre fotos aleatórias. Semelhanças com a realidade podem não ser mera coincidência.
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    As mãos se soltaram. Ela precisava pegar o avião e ele voltar para o trabalho. Ninguém disse adeus, ambos sabiam que verbalizar a despedida só aumentaria a dor. Os braços continuaram estendidos por alguns metros enquanto se separavam, como se suplicassem por mais um toque, como se soubessem que só havia ausência no caminho que cada um seguia agora. Ela finalmente deixou o braço cair e virou o rosto para o seu destino. A entrada do aeroporto estava a apenas alguns metros. Será que ela estava andando rápido demais? Já sentia que estava longe dele há anos. Queria voltar, queria com todas as forças poder correr de volta para os braços dele, mas sabia que não podia. Não olharia para trás, não queria que ele a visse chorando. Ela sabia que, mesmo atrasado, ele a estaria observando. Se ela retribuísse o olhar, não haveria mais chance de continuar, então reuniu todas as forças que sequer imaginava ter para seguir. “Haja o que houver”, foi o que ele disse na última noite, mas ela não quis arriscar. Conhecia as reações exageradas que ele costumava ter com notícias fortes e, por ser a última noite juntos, talvez ele não tivesse tempo suficiente para se recuperar do primeiro impacto. “Era cedo demais”, ela tentava em vão se convencer. Agora era tarde demais. No ato mais covarde que já praticou em sua vida, deixou o resultado do exame de gravidez embaixo do travesseiro dele. Agora, pensando em todas as possibilidades, desejou não ter feito aquilo. Ele merecia mais do que isso. Mas ela não teve tempo. Não teve coragem de ter tempo. Continuou com os passos bambos e sentiu o frio do ar condicionado do aeroporto com o abrir das portas automáticas. O corpo estremeceu, mais com a dor do que com o frio, e ela seguiu em frente.

    foto | sxc.hu

    • Há 1 dia
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